Espírito Motor
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
  Quero ver.
Quero ver.

É preciso emergir todos os dias, vir das profundezas dos muitos idealismos e sonhos, é preciso todos dias se desvencilhar das tramas infinitas das vontades e necessidades humanas, solto delas é preciso emergir.

Eu quero vir à tona, ver as coisas de perto, olhar bem próximo, sentir com a retina a textura da verdade, minha introspecção já não me vale mais tanto, aprendi tantas linguagens dentro de mim que as vozes interiores me confundem entreviadas por si mesmas para todas as direções, e elas falam de conceitos diferente do exterior, são menores e mais perigosas, essas vozes interiores me confundem, eu fico a conhecer cada uma, porém elas me inventam o tempo todo, rotineiras nesse fado difícil de vencer, e eu preciso me soltar dessas cordas secretas que eu conheço intimamente, nascidas na minha emoção cheia de medo, e são receios de perder a chance, de perder a idade certa, de perder o jogo que os outros falam estar rolando, e também medo de confiar nessas razões a me saltar agora, medo de tudo, no fundo no fundo, sim, no fundo mesmo, eu guardo medo ao invés de fé, guardo o soluço do Deus e assim sua falta de propriedade e prosperidade, sou apenas o corpo dEle, mas não sua alma, tenho braços, pernas e coração para viver todas as paisagens fora de mim, mas fico de boca aberta esperando a borboleta da sorte pousar dentro dos meus fatos, guardo o medo.

Mas não quero mais, preciso emergir, e das profundezas do que já me aconteceu eu quero deixar lá o tesouro escondido, se dizem ser tão caras as minhas experiências, ancorem-se nelas e partam para a escuridão que a chama, porque eu me sinto cego quando estou dentro de mim, cego porque a luz do Deus não é a fiança de um homem em sua sabedoria, mas a fidelidade imortal na aventura de emergir de si mesmo.

E eu quero sair de mim, deixar esse museu de conceitos ser bonito como uma biblioteca engolida pelo mar depois de um terrível maremoto, quero tudo guardado, revelado somente ao sol quando ele tem a inevitável acareação com as sombras do ocidente, mas aí, será iluminado o fim da tarde, e será fim para mim, explodindo a verdade e sua cúpula cristalina em milhões de pedaços pela noite querendo ser cheia de cacos brilhantes, como histórias que se contam ligando os pontos, e eu vou desenhar na escuridão as constelações e meus mentirosos contos a respeito de minha realidade e minha idealização. Do lado de fora de mim, o sol pode vir conhecer o final do dia, e eu terei uma noite boa para esconder meu olhar que me prende lá embaixo, lá onde meus juízes todos querem que eu seja o pirata e o tesouro ao mesmo tempo, e assim eu me refugio em erros, lá embaixo, eu me escondo sem desejo, porque o brilho do meu ouro é saber que abrir a arca é o que vale, sair de mim, emergir para o encontro com o céu cheio de cores e sol, eu quero vir à tona, perceber as coisas com a retina, esfregar minhas córneas no calor da simplicidade no presente, deixar o passado ser algas marinhas e o futuro ser por elas roçado, no final de tudo, guardo a esperança de ser o começo de muitas forças, mas não de idéias, quero emergir e levar comigo somente a arca vazia, sem sonhos ou invenções do pavor, subindo à praia quero encontrar o Deus acendendo as estrelas quando as lambe querendo saber seu sabor.
 

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