Espírito Motor
sábado, 24 de novembro de 2007
  Sonho do Dia 23
Sonho do Dia 23

Tive um sonho muito especial, à maneira que há muito tempo não acontecia, ele foi tranquilo, cadenciado e guarda-se ainda em minha memória, é dia 23, aniversário de minha mãe.

Sonhei com a visita de 4 pessoas, em três situações distintas porém ao mesmo tempo, e as pessoas ficaram distribuídas pela casa, uma delas acompanhava meu pai, outras duas ficaram entretidas com elas mesmas, e a última me aguardava, apesar de eu ficar interessado em todas as visitas, e querer com elas assuntos, foi com a que me esperava a que mais me segurou nos sentimentos, essa pessoa era uma moça que mora aqui na minha cidade, parte de uma época na minha vida que ainda reclama minha atenção e trabalho, minha infância. Essa amiga se chama Jaqueline, que só recentemente tenho tido o prazer imenso de desenvolver meu afeto, é a terceira vez que sonho com ela, dessa vez ela iria me presentear com o restante de sonho, pois senti que tudo que viria tinha uma ligação com seu motivo de me visitar, e esta continuidade ficou na mesma intensidade celeste de seus abraços, que viraram uma rotina salutar nos encontros esporádicos os quais tenho a sorte de viver quando nos vemos pelas ruas de nossa cidade.

As cenas foram se trocando e de repente eu estava na casa de meus avós maternos, eu sempre sonho com eles, já estão falecidos, mas em meus sonhos sempre estão vivos, mesmo quando são fantasmas os recebo com medo e respeito.

Mas no meu sonho era tudo uma manhã ensolarada, como o dia 23 desse novembro, e meu avô estava de pé, pronto para ajudar minha vó que também se levantara - as últimas vezes que nos vemos se tratava de uma senhora entrevada - e meu avô se ofertou a ajuda-la, mas ouviu de mim que não precisava, de onde eu via tudo, eu enxergava como se fosse ainda um menininho de dez anos. Fui até ele, o abracei e senti a coisa boa que sinto ao abraçar a Jaqui, quando o fiz, nitidamente estava o abraçando e também minha vó ao mesmo tempo, e fiquei muito feliz mesmo, perguntei a ela como poderia estar andando, e ouvi essa questão: "-Onde você esteve que não me viu melhorar?"

Então, ainda na sala de sua antiga casa na Praça da Bandeira, meu avô quis abrir as janelas que nunca ficam abertas, e isso é verdade, naquela casa onde só meu tio mora hoje, eu só vi uma única vez aquelas janelas abertas. Meu avô não conseguia abrir, fui lá e fiz o esforço, consegui usando uma técnica cheia de subjetividades que só eu entenderia e não vale citar aqui. Minha vó ficou ali admirando a praça, e meu avô também, eu só contemplava o perfil dos dois, sem ligar para o que estava ali fora, e outros parentes foram chegando, todos com as idades de hoje, chegou minha tia mais nova, meu irmão, e muitos outros parentes foram se aproximando e ficando nos arredores da sala, cada um que chegava tratava de uma história íntima entre eu e eles, as quais não fica bem mostrar aqui, mas assim eles vinham, num determinado momento minha vó queria balas, e houve um pequeno movimento dos envolvidos com a cena para resolver quem fosse comprá-las, mas minha vó não quis esperar, e eu a acompanhei, minha vó dizia que queria ir na praça já que há muito tempo não andava por lá.

Eu acompanhei minha vó, que aos poucos foi-se mostrando ser minha mãe, e eu a trouxe para minha casa até seu antigo quarto de estudo - uma saleta mínima que hoje é um corredor entre seu quarto e o atual quarto de estudos dela exatamente como era quanto ainda pequenino - ela sentou-se ao pé da comprida janela ainda existente, e disse querer me mostrar sua biografia, com um tom triste à maneira de todos os seus gestos, como se aquilo anunciasse sua morte, e me abriu um caderno escrito por sua linda caligrafia, dizendo: "-Aqui está minha biografia escrita com letras azuis." Havia no interim de tudo observado uma sensação em mim de muita compaixão por seu idealismo tantas vezes mal fadado, e de repente, eu senti a necessidade de lhe mostrar o lado de fora pela janela ali mesmo, e era noite, uma noite estrelada, lembro de ter feito essa apresentação a ela estando nós dois abraçados, de corações colados, e a noite nunca em meus olhos foi tão estrelada.

Poucos segundos depois eu acordaria com uma sensação de felicidade e tristeza, mas acima de tudo uma sensação de família. E também não consiguiria dormir por algum tempo pensando nos detalhes que não foram mencionados aqui.
 
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
  O Joelho da Montanha.
O Joelho da Montanha

Quero ser grandioso e espetar o céu com meu peito, quero alcançar toda a paisagem com o olhar, e sou assim quando lembro do meu pequeno tamanho diante de tudo, eu sou o filho das profundezas mais calorosas, e na casca da minha idade a natureza eleva seus rios de sangue, entrepassam por meus desenhos os vales encadeirados diante de outros iguais, e se admiram como eu faço na minha absoluta humildade, tão refrescante quanto a brisa que corre no mais profundo perto da margem, e os rios fazem sincronia de interesses, querem todos eles chegar ao mar, as montanhas fazem filhos e eu sou um deles, abraço com amizade o meu sobronome geográfico, e minha miudeza é meu oceano de oportunidades, os mistérios que crio, os charmes que saboreio, há muito tempo no sal vastíssimo distribuído por todas as minhas casas, e elas olham entre si, admirando umas às outras, sentadas no pé de meus passos, eu andante filho da montanha, sou seus joelhos e em profunda humildade assim me acho.

Não vou fingir que me orgulho de ter que revelar o sangue no meu rosto, não vou fingir que o mistério por trás dos pequenos dão a eles idades para suas histórias, não vou fingir que a mesquinhez é o tédio do herói, não vou fingir que o valor grande de tudo é ser admirador das altas casas onde mora a semente azul do céu, onde mora todo filho de refrescante coração, digo sem medo e com todos eles: o interior do meu ontem é caloroso como a semente de montanhas. E elas são filhas de quem pode vê-las.

E que grandeza poderia ser maior que carregar um jardim de horizontes?
 
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
  A Flor do Além
A Flor do Além

Em um lugar bem distante eu senti nascer uma rosa, e ela deixou o espinho por todo o caminho entre nós, seu caule se tornou o caminho até seu coração, e por ele somente o verde da esperança me dava o ar, mas pedia dos meus pés o sangue impossível de eu ter.

No além de tudo eu senti uma flor nascer, e os espinhos eram o mais próximo fruto de sua existência, mas ao fim do caminho ela desabrocha, eu sinto, até a leveza do ar roçando suas pétalas, e deixando escorrer suas cores por dentro dos meus sonhos, onde me encho de um sangue impossível de se ter, e com ele pinto minhas pegadas na direção desse despertar, mais ai de mim que tenho meu corpo todo preenchido dela, ao sentí-la distante e além do meu respirar.

Vou fechar os olhos, os espinhos são inevitáveis, mas dentro de mim o caminho é somente caminhar.
 

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