Espírito Motor
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
  Escravo da Edificância
Escravo da Edificância

aff... ...nem sei se essa palavra existe.

Edificância, sim, isso mesmo, e escravo também, é o que sou, de repente descobri que meu direito a dizer é somente aberto a uma tonalidade: edificar.

Eu devo ser alguém muito sério, aliás, se eu tirar pela característica predominante em todos os meus primos e tios, realmente eu posso começar a aceitar minha condição de autoritário e categórico, a ternura não é um traço genético na minha família, nem a flexibilidade de visão.

Por incrível que pareça eu também possuo sentimentos,e eles sempre reagem às violências geradas por mim, mesmo quando não percebo suas ocorrências de imediato.

Então vou descansar todas as minhas pesquisas de compreensão, peço agora aos meus secretariados de avaliação que durmam até desaparecerem, pois é bem claro a verdade com seu gene determinante em meu sangue e palavra: eu nasci categórico.

Não vou conseguir fazer uma transfusão de alma se eu me resignar mais o tanto que já me prometo fazer, será um escape inútil, e realmente terminarei um salão duro de mármore, cheio de ideais mortificados nas paredes, todos eles cristalizados pelo frio causado pela distância natural dos que se afastam, e essa distância é algo que hoje viça até entre o mais herói dos heróis.

Melhor explicando, não adianta qualquer movimento meu, minha voz ainda assim carregará grande carga de autoridade sem credencial, e isso dói só de saber.

Minha soberbia é e sempre foi meu maior mal, porém eu nunca procurei para mim qualquer rótulo ou premiação que não fosse a mesma que era justiça e elegância aos outros, porém, eu já nasci um salão de mármore, já nasci um totem velho pronto para receber honrarias, e só nisso ficar.

A grande verdade é que não as recebo, posso sim ganhar elogios por muita coisa que eu faço, mas não é honra nenhuma, é simplesmente o outro lado de atitudes nossas, minha e de quem tem a possibilidade de admirar, pois qualquer coisa que eu faça é na verdade um chamado social, uma dança de valores, uma dança plural.

Guardo essa idéia dentro de mim, pode ser mais um conceito cristalizado e nascido velho, mas guardo como uma verdade por enquanto, e a verdade que jamais irá embora é que sou categórico, e isso aqui mesmo nesse parágrafo já se prova.

Sinto-me aqueles personagens de filmes americanos que não podem dizer ou viver uma só fala ruidosa que já desanda todo personagem, e no fim, são quebrantados por situações vexatórias, até se espera isso, que o duro personagem no final se dissolva em lágrimas depoentes, e naquela célula de segundo nasça um novo ser.

Mas eu sei que sou um pedra jogada ao lago, faço aquele barulho gostoso de impacto e imersão, implicando com a paz do silêncio, e depois mergulho reto para a escuridão do fundo. Sinto-me um personagem pequeno e maciço, cujas resignações não são mais que os primeiros sinais do final do filme.

Então como governado pela monarquia desses cromossomos, sou escravo de um só texto, de um script conhecido, incapaz de ser outro - senão na loucura - guardando com perseverança o fundo negro dos dias, e uma quebrantação já anunciada nesse grande picadeiro que é a vida e seus showzinhos mais categóricos que eu.

Que palavras sou?
 
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
  Imagens
Imagens

Eu só tenho um conteúdo, e este é minha sensação de tempo, um monte de imagens e suas temperaturas guardadas no mesmo lugar onde estão meus sentimentos, eu quase sempre penso ser esse lugar meu peito, não sei porquê, mas sinto realmente tudo vir de dentro dele, mesmo os pensamentos, é claro, eu sei muito bem que eles vão surgindo da mente, mas eu posso garantir pelo menos pra mim que é no centro do corpo por onde surge a visão do que meus órgãos sensoriais irão compreender.

Quando converso com alguém sei que é ali onde estarei mais ativo, uma sensação de ser porteiro nesse evento se instala, quando converso com alguém pareço cuidar ou descuidar de portas bem no meio do peito, e as sinto, sinto abertas e fechadas, quando trancadas o meu peito parece amarrado por linhas cirúrgicas, e isso dói, quando abertas sinto medo, mas ao mesmo tempo uma sensação refrescante. Mesmo quando as Imagens vão me levar para um inevitável problema, eu ainda assim permito, e a sensação de escoamento para fora de mim se torna um prazer perigoso.

Não gosto de trancar as Imagens dentro de mim, elas são criadas ou absorvidas durante os dias, vão se formando e se armazenando conforme as coerências que se amarram, e isso me dá prazer, mesmo quando a liberação delas culminam em alguma encrenca.

Dizer o que pensa ou que sente é um erro, a sociedade é construída sobre vários protocolos, e isso é importante, ser crú e bruto pode arruinar o valor do alimento, e essas imagens querem sair de mim antes que minha habilidade possa manipulá-las.

E eu sinto várias imagens dentro do meu peito, são até de lugares que não visitei pessoalmente, talvez originadas em sonhos ou por meio deles resgatadas sabe-se lá de onde, essas Imagens controlam minha vida mais do que eu ou a educação a qual fui submetido desde sempre.

As Imagens que tenho no peito são como moldes, e eu nem sei onde começa ou termina o traço delas, elas vão aparecendo conforme o fato, normalmente um segundo antes ou um segundo depois do que é dito ou ouvido, e elas fazem da minha vida o que elas forem.

Tenho muitos medos dessas Imagens, e ao mesmo tempo uma cumplicidade familiar, pareço sequestrado por elas, e elas donas de mim governam um corpo tentando respeitá-las, mas nem sempre consigo ir à frente com que sai, e elas me punem uma hora ou outra.

Estou certo que minha identidade que levo no bolso é mero rótulo do meu conteúdo, e meu conteúdo é minha idéia de tempo, e essa idéia é o que carrego dentro de mim como mapas, filtros e panfletos, sejam álbuns de aventuras ou diário cheio de segredos, eu guardo elas comigo, essas Imagens não me conhecem, elas me determinam, confusas entre si, variadas, cheias de conexões graves ou limitadas, essas Imagens marcam meus passos no segundo antes ou no segundo depois de tê-los a mim dado.

Que Imagens sou eu?
 

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