Espírito Motor
domingo, 16 de dezembro de 2007
  Sobrenome do Medo
Sobrenome do Medo

Minha solidão teve vários filhos, todos eles são medos. E cada um tem um sobrenome, para assim a sua mãe o chamar lá no fundo de meus sentimentos, e eles vêm, sabe-se lá se vão, mas chegam.

O sobrenome do medo é sua característica diferenciadora, o sobrenome mais falado pela mãe de todos eles é Generosidade.

Meu medo recorrente é Generosidade, e bem sei, ando muito distante de sua natureza, pois ao abrir o peito e ser generoso eu me exponho muito, essa exposição me compromete muito, pois eu enfraqueço meus recursos e também minha força num só caminho: eu mesmo.

Dizem por aí que é certo e de boa virtude ser generoso, mas eu tenho visto isso doer demais em mim, talvez por várias razões, talvez por uma só: eu exagere na abertura. Mas a verdade é que não tenho medidas para dizer o ponto máximo de ser generoso, e por fim, termino sem estruturas para viver minha realidade já tão exigente.

Eu quero ser livre, e isso significa ser leve também, quero soltar-me das coisas e poder identificar melhor meu nome, que é minha idéia sobre mim, quero dar o máximo do que tenho, assim eu posso ficar no peso ideal para chegar até onde sou, bem naquele lugar onde todos são chamados: autoconhecimento.

Eu não vou conseguir ser livre ou leve se der mais do que tenho, se fizer mais do que posso, se caprichar mais do que vale, vou com isso fazer buracos em mim onde me encho de passados e compromissos, e isso é pesado.

Eu tenho um nome para escutar, para ao ouvir entender que é comigo que falam. Esse é meu chamado agora, e tenho certeza que minha solidão entende silenciosa meu posicionamento egoísta. O medo de me abrir, de me oferecer já existe, transpareço com facilidade isso, em meus textos, em meus diálogos, em meus silêncios, até minha peculiar honestidade transparece-se diante de tantas omissões nesses tempo permitidas.

Ser generoso é oneroso demais para uma situação frágil, o estágio crítico que estou não me permite doar mais, estou fechado mesmo, sem forças para fazer o que seja, e isso me chama a só me ouvir.
 

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