Espírito Motor
sábado, 22 de setembro de 2007
  Grande Virtude 1
Grande Virtude 1

Lembrar.

Guardar em algum lugar a maneira como sentia as vivências, não necessariamente os fatos, mas os sentimentos gerados por eles, e também um mapa, uma anotação de rotas para reencontrar o que despertou aquele sentimento, é preciso também ter uma criatividade reavivante, uma natureza de fazer incêndios sublimada à simples vontade de reviver a idéia já experimentada.

Quero isso para mim, dominar o calor convertido em memória, reacendê-lo com amor.

Maior virtude é ressucitar o ente querido, e o ente querido é o passado nosso, nosso filho.
 
  Tranquilo Texto
Tranquilo Texto

Não posso pedir maior espaço nos entendimentos de quem me lê. Forço construções complicadas, e pelo ritmo poético desejado no meu inteiror acabo assustando as mentes ainda travadas pelos formatos, também não tenho prestígio suficiente para fazer de uma acrobacia verbal uma obra de respeito, mesmo com colocações bonitas, estou preso na caixa pequena da interpretação alheia, e ali há pouco a se fazer.

Acabamos por nos reduzir para podermos ser aproveitados, e isso se dá com muita dor para quem está procurando ondas mais altas, e uma aventura desafiante em lugares já tão repetidos como o universo da literatura web.

Nos fins inúteis dessas palavras tristes, recolho com descontentamento as brasas que semeiam vulcões.

Um dia eis que minha flor brotará.
 
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
  Cave Demônio! Cave!
Cave Demônio! Cave!

Vou experimentar dizer ao diabo para ele fazer sua casa, gritarei com força para ele cavar sua casinha, vou fazer isso quando eu elogiar alguém, quando eu desejar que a dor dessa pessoa se acentue, porque de vez em quando precisamos fazer o fogo ficar mais alto, nem para ele se apagar mais rápido mas para tostar nossas sombrancelhas, e o suor vai escorregar direto aos olhos, eu vou suar, o diabo também, e meus olhos vão arder até chorar. Cave Demônio! Cave!

Vou dizer sim, para que o buraco seja mais fundo e lá possam morar todos os sonhos dessa gente, e serão muitos que irão, ou tantos a se encontrar por lá, no meio do caminho, com lama entre os dentes, dentro dos ouvidos, no limiar dos significados.

Vou dizer com prazer e isso será minha maneira de acariciar meu próprio coração, porque fazer os outros sofrerem é um diálogo com a verdade, a dizer para ela o quanto essa coisinha de dar manutenção não vale, e ela responderá: "bem sabes que gosto. Avante!"

Amor ao próximo?

Desejo de sorte e valentia?

Para que? Por que?

As pessoas cabem na palma de nossas presunções, e eu sou sincero comigo, tenho mãos pequenas em todos os sentidos, e meus dedos estalados no pisar de muitos, e faço ainda assim a aventura de apostá-los, no caminho dedilhado por mil pessoas procurando onde cavar em mim seus infernos, e mapeiam-se pela sorte de suas impressões históricas, fico eu aqui, querendo ser criativo, fazendo vista grossa com o passado, pretendendo descobrir a armação de escadas que saem das minha falanges para alcançar um céu qualquer, enquanto os outros doem a unha até fazer a fossa para guardar os dias que ruminam em seus gritos, voz alta para que eu deixe de ser o demônio e o imperativo.
 
  Crime: gentileza.
Crime: gentileza.

Vamos convidar os inimigos à mesa, vamos oferecer a eles nossos melhores quartos, vamos também deitar no chão, vamos fazer uma festa, enquanto eles se divertem fazemos os serviços no porão, quero todo mundo no lugar certo de minha devoção, ser gentil é minha maneira e obrigação, vou ser criminoso se não fizer, vamos minha família, levantem: sejamos todos um só em préstimos educados, em delícias gentis, com todos, com todos, vamos ser julgados! Então sejamos rápidos e devotos de uma só forma de análise: sem interesse nenhum vamos dar abraços! Sim, é assim mesmo, todos do mundo, sem altruísmo menores, temos que ser o máximo, porque é o máximo que querem de nós, tudo muito grande, inalcansável, muito alto, e aqui a gente embaixo, guardando os caquinhos da inevitável festa acabada, nossas forças idas, nosso tempo esgarçado, e seremos julgados, se formos convenientes, se quisermos ser gentis apenas por linguagem emocional, devemos ser devotos de todos os homens e mulheres, devemos ser assim dados, e eu daria se eu tivesse a mim mesmo, muito conveniente, eu me deixei ser por outros montado, e eu serei julgado, serei sem pena, depenado, é assim que vale, é assim que tem que ser, gentil somente nas camadas retribuítivas, mas há aqueles que dizem: seja o máximo. E eu serei massificado, não tenho outra forma de sentir e de ser gentil, para mim só se for por um abraço.

Perdão, mesmo assim conveniente não me acho mal educado.
 
  Dançando Nu
Dançando Nu

Eu conheço a maior mentira do mundo, talvez a mais cantada, a musa dos poetas, eu digo, conheço sim e ela é o tempo todo revivida, como carne exposta, e essa mentira é isso, dizer que viver intensamente é o que vale, grande balela, inventada por gente entediada e tagarela, falam muito sobre sermos uma ferida aberta, sermos com o amor ou com a festa um incrível de sentimentos, deixar aquilo ser completo, se matar numa dissolvição completa, e eu ouço muito, principalmente os poetas, falarem de dançar nus nas salas da vida, viver em cada centímetro do corpo uma exposição máxima aos fatos, e sensibilizar-se com as verdades que chegam de todos os lados, e isso é dado como um grande prêmio dos corajosos, audaciosos no entanto são os inteligentes, e inteligentes são aqueles que dizem: "coma do melhor", e assim falo, falo e repito, em minha mesa pode ter de tudo, mas invariavelmente vou à fome de minha vontade, e minha vontade hoje e sempre foi ser feliz, e feliz foi e sempre foi viver somente as coisas doces e refrescantes, porque ao redor de mim a vida dança nua, esquentando-me o olhar, e atrás dos meus olhos há uma comichão chamada pensamento, um vórtice de loucuras amarradas, chamando umas às outras, tudo nos sentimentos desperdiçados, nos valores sendo aplicados a cada detalhe, quando na verdade, na grande Verdade, existe amor e Amor, existe beleza e Beleza, não quero explicar mais que isso, quero dizer que somente o que vale sentir vale ser sentido, basta, para que mais? Para que fingir que estou sem pele? Para que mentir ao dizer: meus sentidos podem tudo. Por que? Eu conheço pessoas de todos os lados do mesmo ser humano, pessoas que vão longe dentro de suas exposições, de suas sentimentalidades, e todas, digo de novo, todas, todas falam do imenso cansaço por estarem numa reta de vivências para dentro de um buraco vertical, e caem, lá no fundo olham para o alto e dizem que essa história de viver intensamente é a grande mentira do mundo, cantada mil vezes por gente entediada e tagarela.
 
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
  Teia desfeita.
Teia desfeita.

Crime esse que passa costurando os dois lados,
fechei os lábios,
cicatrizados,
o meu pecado é ferida e fala,
com minha boca eu digo,
e ouço que não posso,
então guardam,
escondem abaixo da costura,
das linhas fechando na agulha,
aos poucos cerzindo meus caminhos,
buracos,
pela roupa minha,
aos poucos fechados,
e de tempos em tempos novos pecados,
novos pedaços,
ligados no beijo,
laço de lábios, unidos,
perdido em pensamentos,
agora defeitos na teia,
no ato.


A sedução é casa invisível do aracnídeo,
ele guarda meus pecados no mesmo desenho,
uma estratégia nata, e para a morte,
minha,
dele,
de todos nós que não sabemos desfazer os tédios,
os medos,
os erros,
dos outros - claro
porque o meus tem outro nome: pecado.


Mas são unidos,
os pontos,
de um tempo passado,
guardado na educação de aranhas,
querendo sequestrar do vôo as borboletas,
enfeitar suas paredes tristes com asas de mariposa,
mortas em jantar,
almoço e lanche,
eu não como,
tenho boca fechada,
eu penso,
eu sinto,
eu sou uma teia enrolada,
na boca,
no sonho,
no instinto,
eu extinto,
eu nada.


Vou desfiar o meu inimigo,
sua aula e sua graça,
vou refazer meus armários e suas borboletas colecionadas,
vou desfiar o pecado em mil linhas,
jogar para todos os lados esse laço,
um a um,
procurando amarrar os pescoços dos aracnídeos,
e fazer do sonho uma porta,
costurando o caminho,
e eu serei fôrca,
pendurado na língua está o pedido,
a força.


Escutem de mim santas caveiras,
a vocês esqueletos de lepidópteros digo,
quero alma de borboleta.
 
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
  Caminho Criativo
Caminho Criativo

Um diálogo, isso, um diálogo, é o que chamo ser criatividade. Você diz algo e a vida responde, a vida diz algo e você responde. O caminho criativo é para mim uma reação ao que está sendo mencionado o tempo todo.

Eu costumo perder a criatividade, e sinto-me sempre num vazio dolorido, ou de vez em quando sufocante, em parte se dá por conta de uma ansiedade provocativa vir logo em seguida, dizendo da minha obrigação de produzir, de gerar lucros, de conquistar as pessoas numa corrente infinita de admiração, essa ansiedade sempre vem.

A corrente de sucessos é impossível, porém, é bem simples a fórmula para mantermos o movimento da roda, basta empurrar. Sim, óbvio, empurrar, e eu faço, não de maneira regular e previsível, mas sempre, a criatividade é assim mesmo, um fogo atiçado, um muro derrubado, uma cerca pulada, um buraco cavado, um cemitério visitado, um rabisco na árvore, e podem ser suas iniciais e de quem mais ama, pode ser um escrito na boca de um sapo, e ela costurada, tudo caprichado, a criatividade é um passo após o outro, não existe outra explicação, não posso esperar por ela vir, tenho que desenhá-la, seja nas costas da mão, na traseira de um pensamento amável ou terrível, em algum lugar ela tem que brotar, talvez da ferida na árvore com meu nome e o dEle, e Deus será assim grato, enquanto sangro uma floresta inteira com minhas dedicatórias às estações e às alturas, deixo nossos nomes seguir viagem no caminho criativo do crescimento dos dias, e as árvores proguidem para cima, levam com elas meu recado e obra, um primeiro passo, para o céu, claro, e sempre.
 
terça-feira, 18 de setembro de 2007
  O fio de ouro.
O fio de ouro.

No primeiro gesto de afastamento sei que vou recuar, então, sabendo de prévia da escapatória, sabendo que ao menor sinal de rechaço dos indivíduos fujo, devo eu continuar a tentar até o fim? Pergunto sobre participar da vida alheia, de fazer raízes em muitos compromissos e riscos, em olhar para o destino meu e dizer: "oi! cabe mais um?"

As pessoas já estão tão prontas para viverem suas vidas isoladas, ainda que a biologia as obrigue serem em conjunto, mas elas estão bem encasteladas nos protocolos mínimos de um tempo delivery, basta encomendar que chega, no máximo um "oi" e logo se assina um papel. De resto, a gente pode resmungar pelo msn e orkuts da vida sobre a distância entre os seres, o que faz alguém ficar perto de verdade?

Dependência de qual nível? De qual recurso? Se biologicamente fôssemos otimizados, e de repente não precisássemos de nada, o que nos uniria? Qual é o fio que prende um ser humano a outro e que nos liberta do labirinto?

Eu quero depender de alguém?

Eu quero não depender?

Se eu abrir os olhos, qual problema vejo de verdade por trás das escuridões da dúvida?

Se eu fechá-los, qual problema se torna a escuridão e a resposta?

Quero um fio azul, feito de ouro azul, esse que a gente tira do céu, um fio para tecer um casaco de frio, e não para fugir de meu minotauro, quero estar agasalhado quando abraçar meus monstros, tudo por um só motivo: quero fazer calor para compartilhá-lo.

Morre comigo a menção que jamais será dita: morro de medo de depender dos outros.

E tantos assim vão comigo, que por debaixo da terra se ouve a mesma ladainha por toda eternidade.


Será que haverá arrependimento de não ter participado da vida? Ou virá a ser ressentimento por não ter tido coragem de dividir o peito?
 
  Sem muita gente, please.
Sem muita gente, please.

Muitos olhares, por trás de meu globo ocular moram, e ardem, como se fossem pulgas feita com corpo de sal, e olham, olham como se eu fosse o alvo de tudo, o sol. Mas eu esquento pouco, só atrás dos olhos, muito, e deixo, elas se coçam, para inteiras me ver, do começo ao fim de si mesmas, inteiras de se ver, e olham, procuram esquecer de si mesmas, dão uma levantadinha da cadeira na mesa do bar, torcem o pescoço, e olham, e também tem as pessoas dentro das lembranças, lá moram, e olham, olham por trás dos significados e são como pulgas frias, dentro do coração, coçam, fazem um serviço de estar em todo pensamento, e eu oro, para que vão-se embora, mas ficam olhando, eu pego de repente uma na cadeira se levantando, torço o pescoço, gosto, e fico ali prestando atenção, e tenho que passar, o dia passa, o inteiro delas também, e eu fico com parte do que me entregaram no coração, a elas uma parte, os olhares são muitos, de muita gente, pois então.
 
  O ninho do alto do penhasco.
O ninho do alto do penhasco.

Compremeti boa parte da minha ração de sentimentos a uma só boa causa, escalar a montanha que conhece meu inteiror por ser dele a fábrica de suas bases,e foi numa erupção vulcânica que nasceu todos os lados despencados para o nada, eu fiz com criatividade o maior em todo desafio, e da beirada de cada obra eu vejo a paisagem ao redor, no ponto máximo de minha escalada, já no fim de minhas energias eu contemplo o lar e o ninho, porque se levantei do vazio uma beleza, era para dormir naquele alto bem dentro do céu.

E ávidos são os que chegam de todos os lados trazendo suas paisagens irmãs.
 
  Ventania de Fogo
Ventania de Fogo

Por entre as chamas altas há um vento querendo se esquentar, vem do céu, ele cai sobre as labaredas, é a ordem natural das coisas, e ele vem, sopra por cima do calor e da ardência, carrega o prazer íntimo do momento entre o fogo e o mato, e avança, uma onda devoradora chamando à velhice das obras, se alimentando do que é seco e entediado, o fim é sua escala de passos, e ele continua, arriscando-se por onde puder, e haverá inevitavelmente um término, no coração da sorte há a aventura do incêndio, não sabe se aquele canteiro de passados terá palha suficiente, e ele avança, vento e fogo, passado e presente, ansiosos por caminhos abertos, e pele à lamber, pele do chão, das coisas sem dono largadas pela estranheza dos dias, e na arqueologia misteriosa dos artefatos já descascados pela exposição à vida, um museu se forma de cinzas, tudo preto, calcinado por uma vontade do céu, e de lá vem também a ordem: viva sua juventude o máximo que puder, darei a esse gesto o nome de labareda, e será alta conforme o peito que te tiver.
 
  Onde está o paraíso?
Onde está o paraíso?

Ao redor de tudo vivido há uma atmosfera feita dos vapores chamados lembrança, e às vezes eu tomo para mim em meu respirar esses aromas, minha mente então mergulha num extase pequeno, uma introspecção tira meu sentidos, e eu viajo numa sensação saudosista, e lá é o paraíso, se o teu passado cheiro de enxofre, então não é bem do que falo. E não precisamos de nenhum Deus a dizer como será nosso tempo depois da vida, nos cantos das horas já vivemos o pagamento de nossos dias, e eu fecho os olhos, rememoro com prazer as cores evaporadas, e em meu pulmão guardadas.
 
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
  70 e 80
70 e 80

Cor forte, sol quente e nada de som sem ruído, mato fervido, tarde na estrada, em todos os cantos soprando aquela inocência pelas paradas, as pessoas vestindo roupas apertadas, boca de sino, chacis de madeira, e todo assunto contado era ouvido em rádios, ou em programas de tv que todos viam ao mesmo tempo, havia também velhas histórias ainda intactas, talvez fossilizadas na vontade de descobrir o algo novo dentro de lendas, e lugares preservados, distantes das políticas públicas de capitalização, ou das cercas egoístas de grandes empresas ou latifundiários.

Igrejas antigas, protegidas pelo medo pueril ao Deus que andava pelas ruas, e a demolição da ditadura estava em todo lugar cheias de sinal, eram nos cadernos de administração nas instituições, todos de capa-dura, nas grossas paredes de prédios velhos e cheios de infiltrações, em saletas mínimas, com alturas majestosas, secretárias guardando a ética na linha certinha que se obrigavam a fazer em suas anotações, e taquigrafia, dos sentimentos não, mas do que precisava ser moderno, e tudo era moderno, não importa vir com texturas de madeira e crochê colorido nos tapetes para forrar os assentos do carro, em todo canto um santo pendurado, no chiquê das velhas crenças, em mulheres saudando o vento ao entrar pela janela, abertas a um tempo cheio de esperança e rock'n'roll, tudo ao som ruidoso dos vinis cheios de cicatrizes, e os ruídos levando texturas aos ouvidos, e eu via com a orelha, o vento sarrar as olhas quentes da rodovia, via os filmes americanos e imaginava que era no quintal de casa, eu nem vivi a época que mais vive em mim, ela foi embora do mundo, mas está aqui.
 
  Sobre o Divino
Sobre o Divino

Grande parte do meu dia é um pensamento religioso, eu estou permanentemente ligado à questão do Significado, não tenho dúvidas sobre a existência de um Deus, não tenho no entanto, qualquer crença de que Ele queira ou faça algum gesto para nos ajudar ou atrapalhar.

Não tenho a menor vontade de também propor um entendimento novo sobre o Divino, acho que o que acredito já foi deveras pensado por qualquer pessoa com cotovelos à mesa, ou com o pés sobre uma bancada, descansado o ser humano, sem vontade nenhuma, acredito piamente que naquele instante de forças não cobradas, venha a sensação explicativa sobre isso que creio: um Deus que não se intromete.

Falar que Deus não ajuda, não participa, não se envolve com a questão nossa, é a mesma coisa que dizer da sua não existência, assim ouviriam os fiéis ávidos por soluções via celeste, eu no entanto, penso assim mesmo, nenhum intervencionismo, ou se há, não seria nas coisas da vontade.

Para levantar um discurso como esse eu preciso ficar entre todos os pensadores odiados, e não seria difícil para mim estar entre eles, é justamente onde encontro o manancial de explicações fundamentais, e lá me estaciono com prazer.

Estamos todos preparados para enfrentar um crente chato a dizer de Deus e da bíblia, e a ouvir sua ladainha de que meus pecados vão me levar ao inferno deles, estamos preparados para isso, no entanto, nos atiça com fogo quem diz contra a providência divina, e eu digo, Deus não se intromete nas nossas coisas. E nem é porque ele não possa, mas porque seria vulgar, hediondo, estúpido, idiota e nojento, tal como uma platéia a interromper o espetáculo de música querendo incrementar novas notas ou harmonias.

Para mim Deus é a capacidade de cada átomo existente executar sua finalidade, Deus é no ser humano um arranjo muito complexo de si mesmo, e cada indivíduo é uma instância dessa potestade repartida, agora na identidade de uma pessoa, um ponto máximo de Sua capacidade de viver a Si mesmo. Se eu pudesse exemplificar esse pensamento, seríamos nós, nosso corpo, o universo, e o ser humano seria cada bactéria(ou vírus) dentro de nós, a experimentar o ambiente e fazer parte dele, sendo num foco um deus miúdo, e num outro, um deus completo.

Para mim, cada gesto nosso, bom ou mau, útil ou inútil,ofensivo ou inócuo, é o Deus em movimento, agindo e sentindo as coisas, vivendo a experiência de nutrir-se do próprio tempo, da própria carne, da própria inocência e sonho.

Somente desapercebido de Si, Deus pode linear suas características e visualizar o inteiro por partes, e nisso se sentir um monte, bem distante da solitária condição de ser pleno que é.
 
  SimplificaçõesXConteúdo
SimplificaçõesXConteúdo
Antes os fatos ganhavam muitas notas paralelas, eram observações emocionais, pontuações financeiras e conexões sociais.

Hoje os fatos têm uma forma baseada num ponte de corte apenas, leio a história dele, e procuro a tônica poética para seu valor, e exatamente onde a intensidade faz virada com a vulgaridade, eu paro, nessa divisa confusa entre ser algo muito nutritivo e estimulante, e a inevitável saída para o sujo e doentio, é onde paro no respeito ou no foco.

Não se trata de uma imposição - ou mesmo de um sucesso prometido e recorrente - mas sim de um princípio físico e natural, já totalmente assimilado em meus músculos verdadeiros ou metafóricos. Onde na minha inteligência existe uma engenharia política para ler os ocorridos agora existe essa premissa, deixar o fato ser fato até o ponto onde a realidade é ainda bela e estimulante, por mais rude e sangrenta que venha a ser.

Essa minha simplificação então separa em dois grandes momentos o que antes era visto de vários lados, o conteúdo ganha seu peso sintetizado nesse agrupamento e desrepeito, a leitura passa a ser feita sobre duas cores tão somente, o lado de cá do ponto de corte, ou o lado de lá.

Há sucesso nisso? Historicamente o resultado será um texto corrido, e ele com meu sobrenome, uma afirmação firme sem esvaziamentos no "será que", "por onde é melhor", "pensando como", "se você for assim", e todos os outros condicionais a derrubar o tamanho do fato. Quando a força poética bater estaca na pedra implicante e não fizer mais caminho para um firme calço, guardo a magnitude daquela superfície como suficiente para mim, não conectarei pessoas ao ocorrido, não terei aritmética para seu preço, e muito menos suas facetações emocionais.

Conteúdos vividos serão menores? Talvez sim, e se forem, melhor para mim.

Simplificações fazem bem para os outros? Talvez não, há muito de compreensão que será substituído por licensa poética, e nessa postura subjetiva muitos irão procurar maior respeito, porém não encontrarão na dinâmica que administro.

Já estou praticando isso há quanto tempo? Muitas resignações já me colocam a sentimentos muitos de profundidade, e isso tem tempo, alguns meses, talvez até um ano, ou mais, não sei especificar, hoje não falo do que farei, falo de como tem sido feito.
 
domingo, 16 de setembro de 2007
 
Primeiro Post
Para qualquer objetivo a gente dá o primeiro passo, esse aqui é uma mera estréia para olhos novos e velhos, aos novos desejo as paisagens que fico apalpando com os músculos do coração, de olhos fechados requento as sensações já vividas, e aos velhos olhos dou a paciência para não tê-los como eternos juízes, jurados e réus.
 
  historico
HISTÓRICO


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  COMUNIDADE
COMUNIDADE
Aqui serão relacionados blogs de amigos e links interessantes do tipo de cultura que eu vivo. Espero que seja de alguma valia.
 
  IDENTIDADE
IDENTIDADE



Meu nome é Gustavo, e eu fiz esse blog para conversar com amigos, nem sempre eu posso ser sucinto ou preparado para responder a uma questão, então me dirijo a esse lugar exposto para mencionar o que de repente foi calado, pode se dizer: "é uma fuga", eu prefiro entender como uma trincheira oportuna.
 

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